Hoje foi mais um dos dias em que caí a noite e eu cá estou, no meu parapeito da janela a observar a escuridão que se apodera do mundo, num abrir e fechar de olhos sem que ninguém dê por isso.
O som da guitarra do meu caro Angus Young traz-me lembranças que me fazem recordar alguns sorrisos e olhares, uns gestos e muitos gritos de sufoco também. Gritos abafados pela rouquidão da minha mente, abafados pelo sorriso que as memórias mais doces me trazem…
Não passam disso mesmo, de memórias. Memórias de toques, gargalhadas e parvoíces, memórias de muitas outras lágrimas que chorei de igual modo; memória de uma luta dura e complexa pela compaixão, ou a luta por um simples debruçar de lábios (vulgarmente conhecido por sorriso).
Mais uma vez, continuo o choro que ninguém limpa, a água que ninguém bebe e a fonte que não seca, mais uma vez só o meu caro Angus me acompanha…
As estrelas que eram minhas, o mundo à volta onde eu era a imperatriz, o vulcão que controlava com cuidados hoje são ruínas de tudo o que me lembro de tudo o que sou: uma ruína.
Mais uma vez não preciso de dizer que “You Shook Me All Night Long”.
27.11.2009
Sarinha*
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