6.2.10

Linha Famalicão - Barcelos

Jurei que não voltaria mais a este lugar nem a exclamar de novo o teu nome, mas não aguentei. Tive de voltar, tive de recordar tudo de novo. Por momentos pensei em atirar a minha alma pela falésia, mas o corpo sente a tua falta... Os meus olhos precisam de te ver para surgir o sorriso, eu sou dependente de ti!
Custa-me dizê-lo, custa-me guardá-lo, não posso fazer mais nada! Vem cá, vem cá! Já quase que suplico, não me fujas mais por entre os dedos, sabes perfeitamente que não consigo agarrar-te; já chega disto, já chega!
Voltei a cair no tapete, a deixar as lágrimas lavarem-me a cara, gritando e puxando os cabelos, o desespero tomou conta de mim! Esta noite vou cair novamente, preciso de respirar-te, de sentir o teu perfume, de tocar-te outra vez...
Talvez olhar os comboios me ajudem a perceber como tudo passa, como tudo vai e vem... As linhas sujas e com ferrugem sentem o peso desta alma que tanto chora, com esperança... Os comboios já me conhecem, já sou uma fiel companheira... Até o banco já está quente, nada mudou. Até que um dia o vento me leve, por cima destas linhas, até ao suicídio psicológico... Pode ser que um dia em vez de chorar consiga sorrir e talvez sejamos passageiros da mesma carruagem...


Sarinha*

Sem comentários:

Enviar um comentário